Assistindo a um programa esportivo chamado Resenha com Mauro Beting, onde o entrevistado era o ex-goleiro Ronaldo Soares Giovanelli, com mais de 600 jogos pelo Corinthians, houve ao final do programa uma pergunta simples, mais bem formulada. A pergunta feita pelo Mauro Beting foi: “Ronaldo, qual foi o momento que mais te marcou na sua carreira como jogador de futebol. Pode ser dentro do campo, fora do campo, no vestiário, qualquer lugar? O Ronaldo pára, olha para um ponto distante e diz:” Foi quando eu entrei pela primeira vez no Corinthians com a minha bolsinha debaixo do braço aos 12 anos de idade.”. Neste momento os olhos brilham, pois as lágrimas começam a cair. Ele diz:” Mauro, eu estou vendo esta cena neste momento.”

Fui no sábado junto com minha filha comprar uma passagem para o Rio de Janeiro e chegando a agencia de viagem encontro com uma grande amiga, Cristina Lopes Pereira, pelo qual tenho um carinho muito grande. Começamos a conversar enquanto ela providenciava a passagem.

Nesta conversa, ela fala: “Eu até hoje sei dos códigos de passagem da VARIG.” A Cristina trabalhou na agência de viagem da VARIG alguns anos e só saiu porque a VARIG fechou as portas. Mas o que me chamou a atenção foi quando olhei para ela vi em seu rosto a saudade daquele momento. Senti na sua voz o carinho e o orgulho que ela leva consigo até hoje por ter trabalhado na VARIG.

Até hoje não conheci um ex-funcionário da VARIG que não carregue consigo este mesmo sentimento.

Vocês podem estar se perguntando: “O que tem haver a história do Ronaldo com a da Cristina?”. Na sua essência é a coisa mais importante no ser humano: “A PAIXÃO PELO QUE FAZ”. “A PAIXÃO COLOCADA COMO AMOR PELA EMPRESA ONDE TRABALHAVA OU TRABALHA.”

Sinto-me privilegiado em participar deste momento. Como é bonito ver pessoas apaixonadas pelo que fizeram ou que ainda fazem. Como é bonito ver os olhos brilhando, lembrando-se dos momentos que ficaram eternizados em suas vidas. Isto ninguém tira.

Quando você encontra pessoas que são apaixonadas pelo que fazem, a forma de se relacionar é diferente, é mais intensa, mais viva, mais humana. Entramos e conseguimos enxergar nas pessoas que ali trabalham, o orgulho de estar nesta empresa, a excelência no atendimento é natural, sem forçar nada, tudo flui naturalmente. As pessoas atendem com alegria, olham para você com carinho e sempre preocupada em ajuda-lo.

Poucas são as empresa onde podemos encontrar este tipo de situação. Confesso que não sei onde descobriram que ser profissional significa ter atitudes frias e distantes. O Guga, tenista brasileiro reconhecido internacionalmente, é um grande profissional que sempre se apresentou de forma alegre, como faz até hoje.

Trabalhar em uma empresa onde o quadro de funcionários tem o orgulho de estar ali hoje é raro, pois é necessário que o grupo acredite nos objetivos da empresa, se sentindo parte deste objetivo, e acima de tudo, acreditando no comando.

Vejo em várias locais de trabalho quadros com a missão e a visão da empresa, e você ao olhar para o corpo funcional observa que eles não acreditam em nada do que está escrito. Você consegue enxergar a apatia, o “fazer por fazer” e o sentimento de aquilo ser apenas um trabalho. Para que a missão e a visão sejam verdadeiras, a empresa tem que saber se aquilo que está escrito está sendo praticado.

Todos tem a preocupação de zelar pelo nome da empresa onde trabalham, não aceitando qualquer coisa que possa desonrar o seu nome. Quando a empresa tem em seu comando homens íntegros, com o compromisso de fazer daquela marca um grande nome respeitado junto à sociedade, não precisa de discurso bonito, não precisa falar coisas que sabemos que é só fantasia. O necessário são ações efetivas.

Deixo aqui uma reflexão para todos aqueles que estão no comando de qualquer empresa: “Façam as pessoas sob o seu comando se sentirem, valorizadas, seguras, respeitadas. Quanto mais orgulho o seu quadro de funcionário tiver da empresa onde trabalha, maior será a confiança entre o grupo e os objetivos poderão ser desafiadores, pois todos saberão onde querem chegar e podem confiar no comando da empresa.”.

Se você que está no comando, seja leal, honesto, justo e transparente com os seus subordinados, e principalmente o exemplo a ser seguido. Todo grupo só acredita no comando, quando este  dá o exemplo.

Não esqueça, a empresa é um ser vivo, onde as pessoas que a compõe, tem sentimentos, como: carinho, alegria, prazer e entusiasmo. Se o comando tiver a consciência disto, estará a um passo de ter pessoas sob o seu comando apaixonadas e orgulhosas pelo que fazem.