Outro dia estava conversando com um amigo que já foi Secretário de Estado e estávamos conversando sobre a situação atual em que os Estados Brasileiros estão passando. Conversa vai, conversa vem, surgiu um assunto interessante sobre o Poder. Ele comentou que quando era Secretário, sempre esteve consciente de que tudo era passageiro.
Quando ele era convidado para uma festa, receber algum convite, ele sabia que as pessoas estavam convidando o Secretário e não ele como pessoa. O convite poderia ser para O SECRETÁRIO , não interessava quem fosse. Terminado a conversa, fui para casa e comecei a refletir sobre o que ele comentou sobre a figura do Secretário de Estado.
Esta reflexão me levou a uma pergunta: O que é o Poder? Por quê tanta gente quer o Poder ? Por quê  tanta gente destrói amizades, famílias para estar no Poder ?
O Poder é um exercício muito perigoso, pois penso que não é qualquer um que esteja preparado para exerce-lo. Conheço pessoas que assumiram cargos, ditos importantes, dentro do Estado e mudaram de uma forma que ficou irreconhecível. Depois saiu do cargo e ficou tão humilde, voltou a falar com os outros. Quanta bobagem, quantas atitudes anti-éticas as pessoas fazem para estar no Poder, ou até mesmo ficar na periferia do Poder pegando as migalhas que caem da mesa.
O Poder é cruel com o perdedor. Ele não perdoa, Ele vira as costas, Ele massacra o perdedor. Vejo pessoas aproximarem-se do Poder e ficam deslumbradas com a Corte. A Corte é feita de fuxicos, boatos, intrigas etc. Navegar pela Corte é se sujeitar a situações constrangedoras. O Poder, pode ser ele político, empresarial, religioso etc, é falso e ilusório.
O Poder é abstrato. Ele não pertence a ninguém. As pessoas acham que pertencem a eles. O Poder não pertence a ninguém. Você está no Poder. Você não tem o Poder. Basta um passo em falso e o Poder já foi embora, já passou para a mão de outro. Como diz o ditado: “O Rei morreu. Viva o Rei.”
Conheço pessoas que se envolveram com  o Poder e estão hoje em série complicações financeiras. Para quem não está preparado para o Poder, seja ele qual for, ouve o canto da sereia e segue atrás. Muita gente pensa que quem tem dinheiro tem Poder. Penso que o Poder está na mão da pessoa que precisamos naquele momento. Vou dar um exemplo simples: Quando  estamos com algum problema de saúde, procuramos um médico. Quando ele faz o diagnóstico de que precisa operar, neste momento você entende o que é Poder.
Você vai para a mesa de operação e entrega sua vida na mão do médico que você conhece e também a um grupo de pessoas que auxiliam o médico na cirurgia que você não conhece e nem vai conhecer, como o anestesista, a instrumentista etc. Tem pessoas que sabem que tem uma informação ou um cargo em que as pessoas precisam dele, ficam prepotentes, fechadas.

 

Tenho uma estória para contar que retrata bem o que acabamos de falar. Eu trabalhava em uma instituição e no Conselho Deliberativo fazia parte  o presidente de um Banco Estadual . Um dia ele vai até a instituição onde era Conselheiro e se dirige à telefonista e pergunta sobre o Diretor A .Ela educadamente disse que ele não estava. Perguntou então pelo Diretor B. Ela disse que naquele momento também não estava pois o Diretor A e B foram a uma solenidade. Então ele disse: “Não tem ninguém tomando conta desse negócio? “ A secretária, até então calma respondeu que o Diretor C estava. Ele disse para ela que queria falar com ele. Ela então perguntou: “Quem devo anunciar  Senhor ? “ observe a resposta ridícula e cretina do sujeito “Você não lê jornal ? Você não sabe quem eu sou ? Você precisa se atualizar. “ Claro que a telefonista  ficou horrorizada com as atitude deste sujeito. Primeiro que ela não tinha e dever de saber quem é ou deixa de ser Conselheiro da Instuição, pois o Conselho tem uma Secretária própria.
Segundo, ela lê jornal se quiser, ou se a empresa autorizar, pois pelo que saiba, local de trabalho é para trabalhar e não para ler jornal. Terceiro a atitude deste sujeito é de desqualificá-lo como Conselheiro de uma entidade.
Este fato foi relatado pela própria telefonista na época. Esta fato já faz um bom tempo. O sujeito desta estória, foi embora do Estado no dia que saiu da presidência do Banco.
Conheço várias outras estórias que retratam bem o que descrevi acima. Ter dinheiro, ser um diretor, um presidente de alguma coisa, é tudo ilusão. A pessoa só vai entender quando sair, em uma sucessão, ou quando precisa sair pela força da Lei.

Os perigos do Poder

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